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8 Junho 2026

“Amigos do Tartaranhão-caçador”: lançada a Rede colaborativa para salvar esta espécie da extinção

“Amigos do Tartaranhão-caçador”: lançada a Rede colaborativa para salvar esta espécie da extinção

Rede pretende unir todos na missão de salvar o tartaranhão-caçador da extinção e conservar as paisagens que o sustentam. Fotografia Uliana Maria de Castro/Palombar.

O lançamento público da Rede “Amigos do Tartaranhão-caçador” realizou-se no dia 31 de maio de 2026, em Miranda do Douro, no âmbito do Festival ObservArribas. Dezenas de pessoas de diferentes setores estiveram presentes neste evento que apresentou à comunidade esta Rede criada pelo projeto LIFE SOS Pygargus para unir todos na missão de salvar o tartaranhão-caçador (Circus pygargus) da extinção e conservar as paisagens que o sustentam.

O evento arrancou com a apresentação da Rede realizada por Joaquim Teodósio, técnico de conservação da natureza da Palombar e coordenador do projeto LIFE SOS Pygargus. Joaquim Teodósio destacou a importância desta iniciativa colaborativa que une toda a sociedade, cidadãos, agricultores, gestores florestais, entidades públicas, empresas e organizações privadas, e outros agentes locais na proteção e valorização desta ave migratória que se encontra em risco de desaparecer. Frisou ainda as ações do projeto que potenciam e valorizam desde o pão das searas com biodiversidade, aos ecossistemas de montanha que dão vida e equilíbrio à paisagem.


Joaquim Teodósio, coordenador do projeto, destacou as ações que permitem aliar a conservação desta espécie ao desenvolvimento da agricultura, um setor essencial que também deve atrair as novas gerações. Fotografia Uliana Maria de Castro/Palombar.


De seguida, Sandra Sarmento, Diretora Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte, do ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, sublinhou o papel central deste projeto na salvaguarda do tartaranhão-caçador e no desenvolvimento sustentável das comunidades locais, criando sinergias que permitem aliar a conservação da biodiversidade ao fomento da agricultura, beneficiando os agricultores e a economia local e regional.


Sandra Sarmento, Diretora Regional da Conservação da Natureza e Florestas do Norte, considera este projeto fundamental por ter um impacto muito positivo no desenvolvimento das comunidades locais e conservação da biodiversidade. Fotografia Uliana Maria de Castro/Palombar.


Já Filippo Guidantoni, técnico de conservação da natureza e monitorização da biodiversidade da Palombar, falou sobre a colaboração fundamental dos agricultores durante a “Campanha Salvar o Tartaranhão-caçador” e sobre a necessidade de estes estarem envolvidos e sensibilizados para a importância de conservar esta espécie, que também beneficia quem tira o sustento da terra, garantindo serviços de ecossistemas essenciais como o controlo de pragas agrícolas, por exemplo.


Filippo Guidantoni, técnico de conservação da natureza da Palombar, sublinhou o papel central dos agricultores na proteção do tartaranhão-caçador. Fotografia Uliana Maria de Castro/Palombar.

Um exemplo de que é possível aliar a agricultura à conservação da natureza


Filippo Guidantoni mencionou ainda a colaboração exemplar do agricultor José Clemente Ramos com o projeto e os técnicos da Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural, apresentando-o como um grande exemplo de cooperação entre a agricultura e a conservação da natureza, que prova que a coexistência é não só possível, mas também benéfica para ambos os setores. O sr. José Clemente possui terrenos agrícolas no Planalto Mirandês, área histórica e vital para esta ave. Desde que soube que, nos seus terrenos, todos os anos, os tartaranhões-caçadores faziam ninhos e ali nasciam, colaborou ativamente com a equipa da Palombar para os proteger. E assim continua.


O agricultor José Clemente Ramos, que colabora ativamente para proteger o tartaranhão-caçador nos seus terrenos, recebe o Certificado de adesão à Rede. O projeto reconheceu publicamente o seu importante papel. Fotografia Uliana Maria de Castro/Palombar.


Miguel Nóvoa, da Direção da Palombar, destacou, por fim, que o projeto LIFE SOS Pygargus, com o contributo fundamental de todos os parceiros, tem já conseguido dinamizar o setor cerealífero, impulsionando quer a produção de cereais “amigos da biodiversidade”, quer o consumo de farinha e produtos alimentares provenientes de campos agrícolas que salvam espécies em risco, equilibram a paisagem e dinamizam os setores económico e social em toda a fileira.


Miguel Nóvoa, da Direção da Palombar, referiu a importância de valorizar os cereais "amigos do tartaranhão-caçador" e os produtos alimentares derivados destes cereais. Fotografia Uliana Maria de Castro/Palombar.

Entrega de Certificados a quem faz toda a diferença no terreno


O evento terminou em grande com a entrega de Certificados de Adesão à Rede a agricultores locais que já colaboram ativamente, com compromisso e consistência, na conservação desta ave icónica das searas e do seu habitat, contribuindo não só com informação relevante e decisiva, como também através da autorização de intervenção nos seus terrenos para a proteção de ninhos, e, até mesmo, com o adiar da ceifa para evitar qualquer perturbação às aves.


O agricultor José Luiz Rodrigues também recebeu um Certificado de adesão à Rede como reconhecimento coletivo pelo seu compromisso com a espécie. Fotografia Uliana Maria de Castro/Palombar.

A Rede que une e salva: também se pode juntar


Além dos agricultores e outros agentes locais do território, todos os que podem contribuir de forma ativa e direta para salvar o tartaranhão-caçador da extinção, seja através do voluntariado, da cedência de conteúdos (como fotografias e vídeos), da sensibilização ativa, do financiamento de ações, etc., estão convidados a aderir a esta Rede. Esta iniciativa comunitária e colaborativa pretende criar uma ligação e um compromisso efetivo com a espécie, permitindo a troca de experiências e a colaboração entre os seus membros, de forma a assegurar a continuidade das boas práticas que garantem a conservação do tartaranhão-caçador no presente e no futuro pós-projeto.

Quem faz parte desta Rede também obtém benefícios. Ao garantir que esta espécie permanece no seu território histórico, podemos todos usufruir dos serviços de ecossistemas essenciais que nos proporciona; integrar uma rede multidisciplinar que potencia sinergias; realizar mecenato ambiental e obter benefícios fiscais; receber um certificado de adesão e ter reconhecimento público.

O projeto LIFE SOS Pygargus considera que a colaboração multissetorial e o envolvimento ativo das comunidades são vitais para conservar o tartaranhão-caçador e garantir um futuro promissor para esta espécie. Fotografia Helena Raposeira/Palombar.


Sobre o projeto


O LIFE SOS Pygargus - Ações urgentes de conservação das populações de tartaranhão-caçador em Portugal e Espanha é um projeto ibérico cofinanciado em 75% pelo programa LIFE da União Europeia. Conta igualmente com cofinanciamento da Viridia – Conservation in Action, Lightsource bp, Fundo Ambiental e Fundação Biodiversidade do Ministério para a Transição Ecológica e o Desafio Demográfico de Espanha.

É implementado por um consórcio que integra a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural (entidade coordenadora), Associação BIOPOLIS-CIBIO, AEPGA - Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, ANPOC - Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais, CCDR-N - Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte, EDIA - Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas do Alqueva SA, ICNF - Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas, INIAV - Instituto Nacional de Investigação Agrária e Veterinária, LPN - Liga para a Protecção da Natureza, MC Shared Services SA, Modelo Continente Hipermercados SA, SPEA - Sociedade Portuguesa para o Estudo das Aves, UTAD - Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, Vita Nativa - Conservação do Ambiente, AMUS - Acción por el Mundo Salvaje, Consejeria de Agricultura, Ganaderia y Desarrollo Sostenible - Junta de Extremadura, GREFA - Grupo de Rehabilitación de la Fauna Autóctona y su Hábitat e Universidad de Murcia.