18 Agosto 2026
Férias em Uva uniu gerações para descobrir a aldeia, reviver o passado e projetar o futuro

Participaram 17 crianças e jovens nesta iniciativa que deu mais vida à aldeia e marcou quem aqui tem as suas origens. Fotografia Palombar.
Durante três dias, a aldeia ganhou uma nova vida e as suas ruas e vielas levaram as novas gerações a descobrirem a autenticidade do seu património, cultura, natureza, costumes e tradições, durante atividades de diversas tipologias conduzidas pelas técnicas de Educação Ambiental da Palombar Sara Freire e Rita Wiecha. O objetivo foi proporcionar às crianças e jovens uma experiência imersiva na aldeia onde têm raízes. A Palombar considera que conhecer é a melhor forma de criar laços de pertença com o lugar de onde viemos e para onde sempre voltamos, de valorizar as origens e a identidade do local que nos viu nascer.
Conhecer e criar memórias é a forma mais eficaz de criar laços de pertença com o território. Fotografia Palombar.
Descoberta, integração, criatividade e ciência
O primeiro dia ficou marcado pela realização de jogos que promoveram a descoberta da rica biodiversidade local e a integração comunitária do grupo no espaço da aldeia e na paisagem circundante.
Foram também dinamizadas oficinas de criatividade e ciência, com recurso a técnicas de impressão solar e análise de egagrópilas, um nome invulgar para o imaginário infantojuvenil e que se refere à regurgitação das rapinas noturnas que “deitam fora” os alimentos que não digerem. E é através da análise dessas regurgitações que descobrimos a sua dieta, constituída sobretudo por pequenos mamíferos, principalmente roedores e pequenas aves.
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Experiências criativas com recurso à técnica de impressão solar foram inspiradas em elementos naturais. Fotografia Palombar.

O resultado de um trabalho coletivo, onde a natureza foi protagonista. Fotografia Palombar.
Neste dia, as crianças e jovens vestiram a pele de cientistas e, com curiosidade e interesse aguçados, desvendaram a dieta destas aves, aprenderam e utilizaram técnicas e métodos científicos aplicados no estudo da alimentação deste grupo faunístico.
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Crianças e jovens vestiram a pele de cientistas e analisaram egagrópilas de aves de rapina. Fotografia Palombar.
Conhecer o património, reviver o passado e registar vivências através da oralidade e da arte
O segundo dia desta aventura na terra das origens, promoveu a descoberta de ícones do património edificado local:
Os pombais tradicionais, elemento arquitetónico e socioecológico identitário da aldeia, que foram construídos ao longo de gerações em comunhão com o meio, pela arte e engenho de quem maneia a terra. Ofereciam (e ainda ofertam) borrachos, proteína adicional para a dieta; adubo biológico de elevado valor fertilizante, o estrume de pombo, denominado por pombinho; e status, ter muitos era sinónimo de riqueza.
Uva é a aldeia dos pombais e a Palombar já recuperou todos os que se encontravam em ruína parcial, através da ação coletiva. Fotografia Palombar.
O cegonho, cuja serventia ainda hoje se mantém no sobe e desce rumo ao céu e à terra, “colhendo” a água dos poços e reduzindo o esforço de quem rega os alimentos que se tiram do chão.
A igreja, templo do sagrado que agrega a fé e os valores cristãos que marcam a vida e o espírito comunitário aos longo das gerações.
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"Caça ao Património" levou todos a descobrirem os edificados autênticos da aldeia. Fotografia Palombar.
O tronco de ferrar, utilizado para imobilizar o gado de trabalho (como bois, vacas, cavalos ou burros) de forma segura e que servia para o ferreiro ou ferrador aplicar as ferraduras ou os canelos nos cascos dos animais sem risco de coices ou movimentos bruscos.
E também a Fonte do Olmo, onde ainda jorra vida e memórias; os muros de pedra seca, que dividem na serventia, mas unem na tradição; e o emblemático portão de madeira, que recebe e chama para o interior de um tempo que se quer manter vivo.

Ouvir a voz de quem viveu para contar. Fotografia Palombar.
A escuta atenta de quem viveu o passado e continua a viver o presente da aldeia promoveu um encontro intergeracional único e marcante que permitiu conhecer histórias e tradições de outros tempos, encantando os mais novos, admirados com os costumes e realidades d´outrora: tempos houve em que não se podia dançar entre o Carnaval e a Quaresma; em que a manteiga era banha de porco e em que havia lontras a rondar a ribeira de Uva, em pleno centro da aldeia.
O segundo dia terminou com as crianças e jovens a desenharem as suas perceções da aldeia e as vivências na terra.
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Desenho de uma das crianças inspirado em elementos que marcam a identidade de Uva. Fotografia Palombar.
Um mural para registar elementos da memória coletiva e marcar a identidade de quem é presente e futuro
No último dia da jornada de férias, o grupo pintou um mural na aldeia, onde registou elementos vivos da memória coletiva do passado, do presente e do porvir que marcam a identidade local. Cada um, a próprio punho, deixou a sua marca na terra de origem, na terra que se quer com futuro.
Um mural coletivo, onde ganhou forma o que resistiu ao tempo ao longo de gerações. Fotografia Palombar.
Crianças e jovens participaram com entusiasmo na pintura do mural. Fotografia Palombar.

Partilhar vivências na aldeia das raízes, narrar histórias no muro da memória. Aqui, ainda em branco. Fotografia Palombar.
Mais vida e cor para quem fica e para quem sempre volta. Fotografia Palombar.
O mural e quem o pintou permanecem a projetar no tempo e na comunidade que fica a admiração, o gosto, a felicidade e a esperança de cá viver (e continuar).