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21 Maio 2026

Palombar contribui para o Censo Nacional de Sisão 2026

Palombar contribui para o Censo Nacional de Sisão 2026

Prospeção foi realizada numa quadrícula no Alentejo. Fotografia Helena Raposeira/Palombar.

A Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural contribui este ano, pela primeira vez, para o Censo Nacional de Sisão 2026, através da prospeção de uma quadrícula na região de Beja, no Alentejo. Este Censo é coordenado pelo BIOPOLIS - CIBIO da Universidade do Porto e pelo Steppe Birds Move, um grupo de investigação do BIOPOLIS - CIBIO que desenvolve estudos ecológicos sobre aves estepárias ameaçadas de extinção na Península Ibérica, como é o caso do sisão (Tetrax tetrax), que possui um estatuto de ameaça “Criticamente em Perigo” em Portugal.


O sisão é uma espécie estepária com estatuto de ameaça "Criticamente em Perigo" em Portugal. Fotografia DR.


A quadricula em causa, de 25 km², foi prospetada pelos biólogos do grupo de investigação da Palombar Pedro Horta e Helena Raposeira. Nesta área, foram selecionados todos os locais com habitats estepários. Aquando da preparação dos trabalhos, existiam cerca de 3,5 km² de áreas potenciais - das quais 35% foram recentemente convertidas em culturas permanentes - sobrando em toda aquela área apenas 2,27 km² de habitats disponíveis.


Prospeção foi feita pelos biólogos da Palombar Helena Raposeira e Pedro Horta. Fotografia Pedro Horta/Palombar.


Registado apenas um indivíduo na área prospetada


Os resultados da prospeção acompanham a tendência registada pelas restantes equipas no terreno: apenas foi possível detetar um único indivíduo, fora da quadricula e dos períodos de amostragem.

As profundas alterações no uso do solo - com a substituição das culturas cerealíferas por olival e amendoal intensivos e superintensivos -, associadas à intensificação do uso de pesticidas, à terraplanagem de linhas de água, instalação de linhas elétricas e à movimentação constante de maquinaria pesada, representam pressões dramáticas sobre as espécies estepárias.

Estes impactes comprometem não só a biodiversidade, mas também os serviços dos ecossistemas locais, afetando a qualidade do solo, da água, a regulação climática e, consequentemente, a saúde e o bem-estar das populações humanas.

A substituição das culturas cerealíferas por outras culturas intensivas e superintensivas diminui draticamente o habitat disponível para esta espécie, que está em risco de desaparecer. Fotografia Pedro Horta/Palombar.

Sisão: uma espécie com extinção (quase) anunciada numa região que perde identidade


A previsível extinção do Sisão em Portugal, evidenciada pelos resultados deste censo nacional, não representa apenas a perda de uma espécie. É um sintoma crítico da situação agonizante dos ecossistemas naturais e seminaturais do Alentejo - e também da perda de uma memória coletiva, de uma relação ancestral com o território e de uma forma de vida que moldou esta paisagem única.

Quando os alcaravões se calarem ao anoitecer, as abetardas deixarem de se exibir nas planícies, os tartaranhões deixarem de sobrevoar as searas, os carraceiros de seguir o gado e os sisões desaparecerem para sempre, o Alentejo deixará de ser o Alentejo, numa morte biossocial anunciada.