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24 Fevereiro 2026

Líquenes: projeto estuda o seu potencial uso no restauro ecológico, certificação florestal e valorização económica

Líquenes: projeto estuda o seu potencial uso no restauro ecológico, certificação florestal e valorização económica

Florestas do Nordeste Transmontano têm uma grande diversidade de líquenes. Fotografia Paulo Calejo/Palombar.

O projeto “Líquenes à Moda do Norte” vai estudar o potencial de utilização destes fungos especiais no restauro ecológico, na certificação florestal e em produtos de gastronomia, tinturaria e cosmética com valor acrescentado. Este projeto é desenvolvido pela Associação BIOPOLIS, em parceria com a Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural, a AEPGA - Associação para o Estudo e Proteção do Gado Asinino, a VERDE - Associação para a Conservação Integrada da Natureza, a associação ALDEIA, as empresas FLORADATA e BIOMONTANA, e ainda o Centro Ciência Viva de Bragança. Conta com o financiamento da Fundação “la Caixa”, no âmbito do programa PROMOVE.


Líquenes poderão ser utilizados para certificação florestal. Fotografia Uliana de Castro/Palombar.

Líquenes: os fungos especiais que podem ser muito mais do que bioindicadores

Os líquenes são organismos compostos que resultam da associação simbiótica entre um fungo e algas ou cianobactérias. São conhecidos sobretudo pelo seu importante papel enquanto bioindicadores da qualidade do ar, mas podem servir para muito mais do que isto.

O projeto “Líquenes à Moda do Norte” tem como objetivo principal valorizar e diversificar a utilização destes organismos, beneficiando quer o habitat onde se desenvolvem, nomeadamente os carvalhais do interior Norte do país, quer as comunidades humanas, através da valorização económica de produtos.



Evento público de lançamento de projeto decorreu no PINTA - Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso. Fotografia Palombar.


Líquenes poderão ser transformados em matéria-prima com elevado valor acrescentado

“Através da recolha responsável de líquenes e da sua transformação em matéria-prima, será possível desenvolver produtos de elevado valor acrescentado, alinhados com as tendências atuais de consumo ético e ecológico”, sublinhou Joana Marques, investigadora do BIOPOLIS/CIBIO-InBIO da Universidade do Porto e coordenadora do projeto.


A investigadora Joana Marques, do BIOPOLIS/CIBIO-InBIO da Universidade do Porto, é a coordenadora do projeto. Fotografia Palombar.


No âmbito deste projeto serão “testadas aplicações concretas na gastronomia de autor, com pratos que incorporam líquenes comestíveis; na cosmética natural, como ingredientes de sabonetes e perfumes artesanais; e na tinturaria ecológica, recuperando o uso de líquenes como fonte de corantes naturais e têxteis”, explicou a investigadora, durante o evento público de lançamento do projeto que decorreu no dia 20 de fevereiro no PINTA – Parque Ibérico de Natureza e Aventura de Vimioso, no distrito de Bragança.

liquenes.pt: a plataforma digital que vai sistematizar a informação sobre espécies e distribuição no território nacional

A informação atual sobre as espécies de líquenes que ocorrem no território nacional e a sua distribuição ainda é escassa e dispersa, pelo que este projeto visa igualmente sistematizar esses dados, através da criação da plataforma digital líquenes.pt e da promoção do uso de plataformas de ciência cidadã como o iNaturalist.


Evento de lançamento do projeto incluiu um passeio para a observação de líquenes e um almoço com produtos da região. Fotografia Rui Oliveira. 



Observação de algumas espécies de líquenes que ocorrem na região. Fotografia Rui Oliveira.

Projeto tem quatro eixos de ação

Este projeto, que decorrerá no Nordeste Transmontano, está estruturado em quatro eixos de ação, nos quais a Palombar tem um papel-chave: a implementação de uma rede colaborativa para mapear a distribuição de líquenes emblemáticos das florestas da região; a realização de ensaios de transplantação de líquenes para restauro ecológico; a utilização dos líquenes enquanto bioindicadores para certificação florestal, nomeadamente certificação FSC - Forest Stewardship Council; e a valorização económica em gastronomia, cosmética e tinturaria natural. Serão também realizadas ações de formação envolvendo as comunidades, bem como formação de liquenólogos.