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5 Novembro, 2020

Projeto "Reconecta-te à Natureza - as aves fazem mais do que cantar" sensibiliza para serviços que a avifauna presta aos ecossistemas

Projeto

Fêmea de tartaranhão-caçador (Circus pygargus). Fotografia Palombar.

Controlar pragas, reciclar nutrientes, limpar habitats, aumentar a produtividade agrícola, promover o crescimento florestal: sensibilizar a comunidade para estes e outros serviços de ecossistemas fundamentais prestados pela avifauna com o propósito de informar sobre a sua importância e papel vital e alertar para os problemas que têm provocado o declínio de várias espécies de aves associadas aos ecossistemas agrícolas é o principal objetivo do projeto ‘Reconecta-te à Natureza - as aves fazem mais do que cantar’ da organização não governamental de ambiente (ONGA) Palombar - Conservação da Natureza e do Património Rural.

Este projeto, financiado pelo Fundo Ambiental - Ministério do Ambiente e da Ação Climática e aprovado em outubro de 2020, tem como área de intervenção os municípios abrangidos pela Comunidade Intermunicipal Terras de Trás-os-Montes (CIM-TTM), e visa também capacitar os cidadãos, oferecendo ferramentas que lhes permita intervir de forma sustentável no capital natural presente nesta região, através de materiais lúdico-pedagógicos-informativos e ações de formação. O propósito é alterar comportamentos e promover o envolvimento da comunidade, potenciando uma cidadania ativa, participativa e informada, em prol da sustentabilidade ambiental.

Adicionalmente, o projeto pretende aproximar a sociedade da ciência, através da transmissão de conhecimentos científicos de forma simples e prática, envolvendo diferentes intervenientes com papéis importantes na conservação da biodiversidade, bem como promover uma maior interligação entre os gestores do território e os agentes de conservação da natureza, assegurando uma maior cooperação e articulação em benefício da biodiversidade.

O projeto tem como foco dois grupos de avifauna: os passeriformes e as aves de rapina. No caso dos passeriformes, irá abordar os serviços que estes prestam para os ecossistemas associados a hortas, pomares e florestas; e, no que se refere às rapinas, as ações incidirão sobre espécies diurnas ligadas ao habitat das searas, tendo o tartaranhão-caçador (Circus pygargus) como espécie bandeira, e noturnas, associadas às quintas, apresentando como espécie de destaque a coruja-das-torres (Tyto alba).


Toutinegra-real (Sylvia hortensis). Fotografia Luís Ribeiro/Palombar.


Durante este projeto, serão produzidos materiais diversificados para diferentes plataformas digitais e suportes impressos. O público-alvo é a população em geral, a comunidade escolar e os agricultores, em específico. Vídeos, mupis, cartazes, kits e conteúdos pedagógicos para os docentes abordarem as temáticas do projeto em contexto escolar, sessões de sensibilização, conversas informais e um webinar são alguns dos materiais e ações que integram este projeto.

Vão ser também implementadas, no território de intervenção, entre outras medidas, ações com vista à identificação e monitorização de ninhos de tartaranhão-caçador para promover a sua proteção e sucesso reprodutivo, em estreita colaboração com os agricultores locais, com o intuito de criar uma rede de proprietários agrícolas "Amigos do Tartaranhão-caçador".

De igual forma, o projeto irá promover o seguimento de ninhos de coruja-das-torres e revelar, através de imagens de vídeo em direto e conteúdos multimédia, o comportamento desta espécie no ninho e alertar para a importância de a conservar e proteger.

Sensibilizar e educar para a conservação da avifauna, através de uma relação pedagógica, de proximidade e cooperação, é a chave para assegurar um futuro sustentável a nível local, regional e global, e para preservar a relação de benefício mútuo do binómio Homem-Natureza.


Campo agrícola. Fotografia Palombar.


Aves que ocorrem nos habitats agrícolas estão em declínio: é urgente agir para as conservar


A biodiversidade de avifauna na Europa está a sofrer uma redução sem precedentes. Estudos recentes alertam que 39% de um universo de 170 espécies de aves comuns encontram-se atualmente em acentuado declínio populacional, sobretudo aquelas que ocorrem em habitats agrícolas. Em Portugal, a situação é especialmente dramática para espécies com as quais estamos habituados a lidar no nosso dia-a-dia, espécies comuns, que afinal já não o são. É o caso do pintassilgo (Carduelis carduelis), da andorinha-das-chaminés (Hirundo rustica) e da rola-brava (Streptopelia turtur), esta última com uma diminuição populacional de 80% nos últimos 15 anos.

O declínio das populações de aves selvagens leva a uma diminuição preocupante dos seus serviços para os ecossistemas, afetando o seu equilíbrio e manutenção, e gerando consequências nefastas para os habitats, a biodiversidade e para as comunidades e o seu bem-estar.

Os principais fatores responsáveis por esta perda de biodiversidade são as atividades humanas assentes em práticas agrícolas insustentáveis, a homogeneização e consequente degradação do mosaico agro-silvo-pastoril, o uso de agroquímicos e ainda os impactos diretos no sucesso reprodutivo de várias espécies, como a destruição de ninhos.

Na região de Trás-os-Montes, a agricultura tem um papel fundamental a nível social, ambiental e económico e contribui significativamente para a preservação da paisagem. É, por isso, essencial implementar no território medidas amigas do ambiente que permitam promover uma gestão sustentável dos recursos naturais, que assegure a preservação da biodiversidade, por um lado, e a viabilidade socioeconómica das zonas rurais, onde o setor primário é determinante, por outro.

Os serviços naturais para os ecossistemas tendem a aumentar e a manterem o seu equilíbrio com o aumento da biodiversidade, sendo esta uma componente chave dos ecossistemas multifuncionais. Urge, desta forma, fomentar o conhecimento da comunidade sobre o potencial das aves e das suas funções ecológicas nos ecossistemas, com o objetivo de assegurar a continuidade da interação harmoniosa e sustentável atividades humanas-habitats-biodiversidade, a qual promove benefícios mútuos essenciais para garantir a sobrevivência e o bem-estar de todas as formas de vida.