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14 Maio, 2022

Dia Mundial das Aves Migratórias: há que mitigar a poluição luminosa e proteger a avifauna migradora

Dia Mundial das Aves Migratórias: há que mitigar a poluição luminosa e proteger a avifauna migradora

Águia-caçadeira. Fotografia Wikimedia Commons.

O Dia Mundial das Aves Migratórias é celebrado todos os anos no segundo sábado dos meses de maio e de outubro. Este ano, as celebrações da data têm como mote a poluição luminosa que afeta o movimento migratório das aves em todo o mundo.

Poluição luminosa: uma ameaça para as aves migratórias que pode ser mitigada

A iluminação artificial tem aumentado a nível mundial a uma intensidade de pelo menos 2% ao ano e afeta negativamente muitas espécies de aves. A poluição luminosa é uma ameaça significativa sobretudo para as aves migratórias, visto que causa desorientação quando estas voam à noite, levando a colisões com infraestruturas humanas, perturbando o seu relógio biológico ou interferindo na sua capacidade de realizar migrações de longa distância.

Mas há soluções para este problema: em todo o mundo, cada vez mais cidades estão a adotar medidas para reduzir a iluminação artificial dos edifícios durante as fases de migração das aves, que ocorrem na primavera e no outono.


Abelharuco-comum (Merops apiaster). Fotografia Wikimedia Commons.


Diretrizes que definem melhores práticas neste âmbito também estão a ser desenvolvidas no âmbito da Convenção sobre a Conservação das Espécies Migradoras Pertencentes à Fauna Selvagem, também denominada por Convenção de Bona, para abordar este problema crescente e garantir que ações e medidas sejam adotadas globalmente para ajudar as aves a migrar com segurança.

"Searas com Biodiversidade: Salvemos a águia-caçadeira", o novo projeto que vai proteger esta espécie migradora em risco de extinção em Portugal

O projeto "Searas com Biodiversidade - Salvemos a águia-caçadeira", que será lançado oficialmente no dia 17 de maio, tem como principal objetivo promover a proteção e conservação da águia-caçadeira, uma espécie migradora com estatuto de ameaça “Em perigo” de extinção em Portugal e cujas populações têm registado um declínio continuado e acentuado no território nacional nos últimos anos.

Este projeto conta com vários parceiros: a Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural; a Associação Nacional de Produtores de Proteaginosas, Oleaginosas e Cereais (ANPOC); o BIOPOLIS/CIBIO, Centro de Investigação em Biodiversidade e Recursos Genéticos da Universidade do Porto e o Clube de Produtores do Continente (CPC), sendo financiado por estas três últimas entidades.

Águia-caçadeira, a exímia predadora que elimina pragas agrícolas
  • A águia-caçadeira (Circus pygargus), também conhecida por tartaranhão-caçador, é uma espécie de ave de rapina exímia na arte da caça e da predação e não é por acaso que os adjetivos “caçador” e “caçadeira” integram os seus nomes comuns.
  • Apresenta movimentos ágeis, rápidos, silenciosos e precisos e tem, por isso, uma grande habilidade para caçar presas vivas de pequenas dimensões.
  •  Presta vários serviços aos ecossistemas, como a eliminação de pragas que afetam a agricultura. Um único casal de águia-caçadeira elimina mais de 1 000 animais prejudiciais à agricultura ao longo de uma época reprodutora.
  •  É uma espécie migradora e nidificante estival em Portugal, pelo que só está presente no território nacional a partir de meados de março até setembro. Esta espécie passa o inverno em África.
  •  É uma das aves estepárias com maior dependência das searas para a sua sobrevivência por este constituir o seu habitat preferencial de nidificação e de alimentação.
  •  O declínio das populações de águia-caçadeira em Portugal resulta, muito provavelmente, de dois fatores decisivos que afetam a espécie: o corte precoce das culturas de feno (forragem) em plena época reprodutora e a perda de habitat associada à redução muito significativa das áreas cultivadas com cereais para produção de grão.
  •  Com o novo projeto, pretendemos implementar medidas eficazes e colaborativas, que envolvam ativamente os agricultores na proteção desta espécie para assegurar a sua conservação a longo prazo, a biodiversidade das searas e os serviços dos ecossistemas.