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18 Março, 2020

Abutres europeus: maior tamanho e idade dá vantagem competitiva e estabelece hierarquia na hora da alimentação

Abutres europeus: maior tamanho e idade dá vantagem competitiva e estabelece hierarquia na hora da alimentação

Figura 4 do artigo publicado na revista Scientific Reports. Ilustração Juan Varela.

Na hora de se alimentarem, os indivíduos das quatro espécies de abutres europeus com maior tamanho e mais velhos têm vantagens competitivas, conseguindo alimentar-se antes dos demais, o que os coloca no topo da hierarquia que se estabalece na hora da procura por recursos tróficos.

A descoberta é de um estudo publicado na revista Scientific Reports em fevereiro deste ano, com o título ‘Larger size and older age confer competitive advantage: dominance hierarchy within European vulture guild’ e autoria dos investigadores espanhóis Rubén Moreno-Opo, Ana Trujillano e Antoni Margalida.

Os cientistas estudaram o comportamento e a organização de hierarquias entre as quatro espécies de abutres europeus (abutre-preto Aegypius monachus, grifo Gyps fulvus, quebra-ossos Gypaetus barbatus e britango Neophron percnopterus) durante o consumo de carcaças. Por um período de dois anos, todos os meses, os investigadores forneceram carcaças de animais em campos de alimentação para aves necrófagas, tendo avaliado o comportamento das aves na hora da alimentação através da análise de imagens.

Os resultados mostraram que o comportamento associado ao consumo de alimento mais frequentemente observado foi a disputa/ataque e que o abutre-preto, o maior e mais forte dos abutres europeus, foi o que apresentou as maiores taxas de sucesso nas suas interações com outras espécies, estabelecendo-se como a espécie dominante na disputa por alimento/consumo de cadáveres.

Em segundo lugar surge o grifo, que, no entanto, em determinadas condições, pode ter vantagem sobre o abutre-preto quando surge em bando. O britango, o mais pequeno dos abutres europeus, aparece no último lugar da hierarquia, depois do quebra-ossos, sendo a principal vítima dos ataques.

Entre todas as espécies, os juvenis, dominados por sub-adultos e adultos, foram os mais frequentemente envolvidos em disputas, tanto com indivíduos da mesma espécie como de outras espécies, possivelmente devido à falta de experiência ou porque precisavam de correr mais riscos para se conseguirem alimentar.

Este estudo mostra, desta forma, que existe uma hierarquia de domínio entre os abutres europeus com base no tamanho corporal e na idade, variando das maiores espécies para as menores e dos indivíduos adultos para os sub-adultos e juvenis.

De acordo com o estudo, esta descoberta poderá explicar por que razão cada espécie de abutre perscruta os cadáveres de forma diferente, estabelecendo um equilíbrio entre os comportamentos de disputa e a distribuição de recursos tróficos.

Além disso, mostra que as interações de disputa e competição são mais agressivas quando a quantidade de comida disponível é menor e quando o número de abutres concentrados à volta dos cadáveres é maior.

Compreender como essas hierarquias funcionam é fundamental para aprofundar os conhecimentos sobre a ecologia trófica das aves necrófagas, um elemento essencial no desenvolvimento de estratégias eficazes de conservação. O artigo científico está disponível aqui.

Conservação de aves necrófagas é uma das áreas centrais de atuação da Palombar

A conservação de aves necrófagas é uma das áreas centrais de atuação da Palombar – Conservação da Natureza e do Património Rural. No âmbito de vários projetos (ConnectNatura www.connectnatura.pt, Sentinelas www.sentinelas.pt, LIFE Rupis www.rupis.pt e Grupo Nordeste www.nordeste.eu), a organização assegura a criação e a manutenção de Campos de Alimentação de Aves Necrófagas (CAAN), de modo a beneficiar espécies de avifauna com hábitos necrófagos, aumentando os recursos tróficos, e implementa medidas para fazer face às ameaças que enfrentam estas espécies.

A Palombar tem vindo igualmente a trabalhar na implementação de áreas não vedadas para alimentação de aves necrófagas, uma abordagem que favorece o fornecimento de alimento adicional de uma forma natural, não previsível e com maiores benefícios para as espécies e para os seus hábitos de prospeção de alimentos.